
Não publiquei nada na semana passada, passei a semana processando. Voltamos a programação normal.
E qualquer ato de escrita que eu possa fazer é um ato que vai ser sobre a política. Mas eu pensava que bastava escrever sobre os valores que eu acredito e saberiam o meu posicionamento, mas parece que existe uma confusão sobre isso.
Todas as vezes que me coloco no lugar do outro para entender como ele vê o mundo, é muito difícil. Quando converso com alguém que pensa diferente de mim é como se a pessoa não soubesse a diferença entre os projetos de uma política de esquerda e direita. É como se não se soubesse que reduzir os gastos é reduzir o tamanho do Estado, reduzir o tamanho do Estado é reduzir as políticas públicas, reduzir as políticas públicas é, a nível de ideologia, se inspirar no país mais rico do mundo e não ter saúde pública, e mais, talvez nem ter escolas públicas, reduzir ao máximo, para que o lucro do capital seja sempre constante. Nunca vi ninguém entender isso, é como se eles achassem que colocar um governo de ideologia de direita vai fazer os serviços públicos funcionarem. Mas como, se o projeto é não ter serviço público?
Talvez as pessoas quando leem um texto que eu faço sobre estupro, invasão, colonização, destruição de povos originários, eu penso em igualdade, não, eu não estou de acordo com o partido liberal (esse trecho aqui precisa melhorar). Não existe liberdade individual. Há essa crença de que você vai enriquecer, e ter a liberdade, falar o que quiser e viver bem com sua família, sendo servido pelos outros. Nenhum ser humano consegue viver sozinho. Qualquer um, mesmo o mais rico do mundo precisa dos outros. E eu como ser humano acredito na corresponsabilidade de todos. Como eu coloquei na crônica: [Sobre o desejo de limpeza](https://blog.embuscadoinutil.com.br/cronica-78/) em que nós temos sim, responsabilidade com todos os outros seres humanos.
Nem me arrisco a dizer sobre o futuro, e tudo aquilo que nos aguarda. Mas é preciso diferenciar sim; não tenho os valores da igreja, não sigo nenhuma religião, não acredito em Jesus Cristo. Mas acredito na justiça. Em consciência, em valores universais; todavia, os valores universais não são os valores cristãos, nesses valores em que você condena alguém por não acreditar em mitos fundamentais ou por alguém ter uma orientação sexual diferente. Isso jamais vai me representar.
Meus valores tem relação com respeito. E por isso, não há violência na minha fala. Há o respeito aos que pensam diferente e acreditam num projeto de nação diferente daquele que acredito.
Há muito mais para falar sobre economia, história, linguística, linguagem, para que possamos resistir. Resistir a colonização das ideias, resistir a um projeto de sucesso que é ganhar dinheiro a todo o custo.
Para quem acredita nos valores de igualdade, de justiça social, de fraternidade, é um dia triste.


Eu sinto por muitos cristãos criar essa imagem de não respeito pelo outro. Eu como cristã, me entristeço por um partido associado à nossa imagem, afinal, o país é laico. Eles pregaram valores que não são de todo nosso (e tenho por mim, que eles aproveitaram um grupo gigante que existe no nosso Brasil, para disseminar suas ideias, e encontrou um público fácil, e isso me entristece profundamente).
Nem todos cristãos pensam iguais, certamente Jesus Cristo não apoiaria isso.