#0066 As cartas da busca do Inútil
ou: quando a execução é muito difícil e estraga a ideia
Comecei o projeto de entregar para você, leitor ou leitora, uma carta todos os meses com o meu texto vivo, impresso, como nos primórdios da escrita. É gratificante ver o seu texto impresso, diagramado, indo pelos correios ser entregue a outras pessoas que também sentem esta nostalgia pelo papel. Mas eu não imaginava que seria tão difícil.
O meu primeiro choque foi que compraram essa ideia, fiz alguns anúncios na rede à parte, e essa primeira oferta, que quando esse texto for ao ar, provavelmente não estará mais disponível por R$ 79,90 para sete cartas, algumas pessoas compraram e acreditaram no projeto. Então, comecei a correr atrás de executar e trazer uma boa experiência para os meus clientes leitores.
Quando fui aos correios postar as primeiras cartas, percebi que precifiquei errado, o valor cobrado por cada carta para cada um dos clientes foi de por volta de R$ 6,00, e esse valor não paga os custos do papel, tinta, envelope, postagem, e o tempo que eu gasto no correios, já que cada ida lá, me consume pelo menos 3 horas.
Superado esse desafio de conseguir fazer a precificação no valor correto, fui obrigado a aumentar os valores das cartas para R$ 29,90 por mês, num plano de pelo menos seis meses. Então, meu projeto, talvez já morra, uma vez que para os padrões brasileiros esse é o valor de quase uma assinatura de streaming por um texto.
E sim, vai ficar caro por ser o preço justo a ser pago pelo trabalho. Como é tudo feito na mão de maneira individual, não consigo ter o poder da escala, que é imprimir 1 milhão de vezes um texto no papel para deixar o custo em centavos.
Na primeira carta enviada, eu escrevi sobre a nossa colonização e a herença que foi retirada de muitos de nós. Falo de como eu gostaria de saber mais das história de nossos ancestrais, são tantas as histórias que eu poderia saber, mas não sei, é como se eu tivesse nascido somente dos meus pais, e não tivesse toda uma linhagem ancestral.


