#0053 O que eu aprendi depois de treinar 1000 vezes na academia
E já adianto, não foi nada sobre ter uma corpinho sarado.
Chegar ao treino mil foi um processo interessante, não porque eu me tornei bombado, longe disso, mas não tenho dúvida que não sou mais o mesmo de quando comecei a treinar.
Eu já fui aquela pessoa que se colocava num pedestal superior àquelas que cultivavam o corpo, eu dizia a mim mesmo “que pobres mortais”, são ratos de academia e não cuidam da mente, não leem livros, são pessoas tão superficiais e vazias. Em minha defesa eu não tinha noção que a única coisa que era superficial era o meu julgamento. E de onde vinha esse julgamento? Não era também um pouco de inveja por eu não ter disposição nem paciência para ficar horas e horas numa academia cultivando um corpo?
Hoje olhando para o meu eu do passado, posso dizer com segurança que era um misto de inveja, admiração por eu não ter uma competência como a deles, e claro, uma falsa ideia de que existia uma superioridade no modo de vida que eu começava a escolher, achando-me mais inteligente, e por isso superior. Mas em minha cabeça, achava-me humilde, dizia que acreditava na igualdade de todos os seres humanos. Eu sei que isso é comum, pessoas que pregam uma coisa, dizem acreditar em determinada ideologia, e pautam sua vida em ações que são o oposto. E me choca, que eu também sou mais um falho em tudo isso.
Depois de aprender que eu não era tão coerente quanto eu imaginava que fosse, eu tive o segundo choque de realidade. Construir músculos é foda para caralho, é difícil, dói pra caralho. Dói. Dói. Entendi finalmente aquela história de que sem dor não se constrói músculos, e sim, é preciso se esforçar, além da sua zona de conforto, para que seu corpo comece a produzir mais músculos, e isso faz com que nós sintamos uma dor que beira ao terrível. Quando eu olho para trás, dá até um pouco de vergonha. Hoje quando olho para corpos sinto admiração, pois sei que existe todo um processo para ser feito, que exige dedicação, exige abdicação, exige muita coisa.
Vivemos na era dos comprimidos, e claro, é possível você comprar o que você quiser comprar, ou seja, o corpo que desejar. Mas não falo de natural, mas mesmo quem compra, precisa ter um pouco de dedicação, e depois de tanto tempo, nós sabemos quem cultiva e constrói o próprio corpo daqueles que compram um corpo pronto.
Quanto eu poderia ter aprendido se tivesse escutado aqueles que por tanto tempo nutre desprezo?
Aprendi também que o corpo não é uma entidade separada da minha mente. Quanta ignorância existia no Gustavo jovem, achando-se o superinteligente por ter lido algumas dezenas de livros. Mas sim, entendi que quando eu consigo trabalhar meu corpo, estressar meu corpo, crescer meus músculos, eu tenho um desempenho muito melhor em minhas leituras, minha memória é como de um telefone novo.
Não há separação, o nosso corpo foi criado para existir em movimento, em contato com outras pessoas. E por fim, mas não menos importante, comecei a entender a importância dos músculos. Eles são como se fossem o nosso seguro de vida. Eles não farão diferença agora, a menos que soframos um grave acidente, mas sim lá na frente, quando estivermos velhinhos e quisermos andar com nossas próprias pernas.



Muito interessante! Eu ainda travo minha guerra, não é um ambiente que eu goste, por mais que eu saiba que seja necessário. A nova rotina tira o prazer, e até dificulta a constância. Mas permanecemos querendo, e acredito que é isso, ser sincero consigo mesmo.